Presidente alemão no Brasil em busca de mais negócios

” ‘Anos da Alemanha’ foram organizados (…) na China, na Índia e na Rússia, para intensificar (…) os contatos das elites desses países com a Alemanha”

O presidente da República Federal da Alemanha, o pastor luterano Joachim Gauck, está visitando o Brasil. Fiel à sua função de representante dos interesses da grande burguesia alemã, Gauck chega acompanhado da habitual comitiva de grandes empresários famintos por novos negócios.

Veja a tradução do texto no final deste artigo.

Veja a tradução do texto no final deste artigo.

Sobre essa personalidade – anticomunista notório que acusa mulheres que passaram por um aborto de terem tomado essa decisão “um pouco rápido demais” e que não cessa de louvar as intervenções militares neocolonialistas do país -  @esquerdacritica pretende apresentar algumas informações em artigo ulterior. Apresento, aqui, a tradução de um artigo publicado no excelente e recomendado site alemão German Foreign Policy (que trata, como o nome indica, de questões de política exterior da RFA sob um ponto de vista progressista e crítico) sobre essa visita.

Motor da Indústria

Com a ajuda de uma grande campanha de relações públicas (“Ano da Alemanha”), Berlim esforça-se para ganhar influência, e novos negócios para empresas alemãs no Brasil. Com essa finalidade, o presidente Gauck está no momento no país latinoamericano. A razão dessa visita não são somente os temores de que a crise do euro vá terminar por prejudicar as vendas das empresas alemãs na Europa e, por consequência, afetar negativamente o modelo alemão de maximização dos lucros, que tem seu foco quase absoluto nas exportações. Apesar do Brasil já ser o parceiro comercial mais importante da Alemanha na América Latina, o mercado brasileiro é visto como ainda não completamente explorado, e como um substituto potencial para cobrir as perdas com a exportação para países da zona euro. Para futuramente vender ainda mais produtos alemães no Brasil, Berlim trabalha para apressar a conclusão de um acordo de livre comércio, e exige até lá uma baixa nas taxas de importação de produtos, Leia Mais…

Ilan Pappe define o sionismo

Ilan Pappe define o sionismo

Aqui a definição do historiador israelense e crítico do movimento sionista, Ilan Pappe:

“Em poucas palavras, o sionismo (…) é uma tentativa de tomar uma religião, uma cultura (…) e condensá-la em uma identidade étnica dentro de um contexto colonialista.

(citado neste site.)

65 anos da catástrofe palestina: a Nakba

(Clique aqui para ver um gráfico mostrando a expropriação contínua das terras árabes na região da Palestina. Legendas em inglês.)

O 14 de maio marca, no calendário gregoriano, a data da criação do Estado de Israel, em 1948, em parte do território do então Mandado Britânico da Palestina. Os israelenses, que seguem para tais datas festivas o calendário religioso judaico, comemoram esse fato no dia 5 do seu mês de Iyar – que caiu em 14 de maio naquele ano.

No dia 15 de maio, comemora-se em vários lugares do mundo o Dia da Nakba – a “catástrofe” que foi a expulsão da maioria da população autóctona árabe do que era a Palestina britânica.

Não entrarei aqui em vários pontos da mitologia de Estado israelense ou do movimento sionista: de que a Palestina estaria vazia e inculta quando da chegada das primeiras levas de imigração massiva, no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, nem de que os cidadãos árabes palestinos teriam voluntariamente abandonado suas aldeias e cidades, suas casas e campos, no período que antecedeu a criação desse Estado, pretendo tratar do assunto em outro artigo neste blogue.

nakba1O fato é que centenas de milhares de árabes, muçulmanos e cristãos, foram expulsos de sua terra natal por um exército impiedoso e brutal. Tiveram suas aldeias riscadas do mapa – em seu lugar, Leia Mais…

A frase da semana: “O euro é uma catástrofe para os países da Europa”

A frase da semana: “O euro é uma catástrofe para os países da Europa”

O euro e o mercado comum da União Europeia revelam-se como uma catástrofe para os países da Europa. A curto prazo, só a economia alemã leva vantagem, porque o capital está depositado aqui,  no país que a maior nação, e a dominante, da Uniao Europeia, por causa da sua segurança presumida. Mas isso não vai durar para sempre. Nestas circunstâncias, é necessário distanciar-se clara e explicitamente do ‘projeto euro’.  Ele não tem mais nenhum futuro, e não pode mais ser salvo nas circunstâncias políticas atuais.”

O jornalista alemão especializado em temas de economia, Lucas Zeise, escrevendo na sua coluna no diário de esquerda marxista junge Welt, edição de 11-12.05.2013, página 9.

Julgamento de neonazistas na Alemanha

Julgamento de neonazistas na Alemanha

Um dos primeiros artigos de @esquerdacrítica tratou da série de assassinatos de cidadãos alemães ou residentes na Alemanha, quase todos de origem estrangeira (turcos, um grego e uma policial alemã) e outros crimes cometidos, ao decorrer de dez anos na Alemanha, por um grupo neonazista. O processo contra a mulher que é designada oficialmente como a “única sobrevivente” desse grupo começou ontem em Munique.

O artigo pode ser acessado aqui.

Racismo institucionalizado em Israel: um exemplo

O diário israelense Haaretz relatou, em sua edição online em inglês de hoje, 07.05.2013, o caso de uma brasileira, não-judia, que foi a Israel como esposa de um cidadão israelense judeu há oito anos atrás, e que desde sua separação luta contra a burocracia israelense para obter o direito de residência nesse país – apesar de ter filhos que lá nasceram e que, esses, detem a cidadania desse Estado. Se fosse judia, não teria algum problema. Como não o é, é submetido à arbitrariedade racista. A pequena história que @esquerdacrítica compôs foi inspirada por essa leitura, com o intento de deixar claro o caráter profundamente injusto da política posta em curso pelo Estado de Israel, desde sua criação.

Paulo nasceu no Rio de Janeiro, seus pais também. Seus avós chegaram ainda como criancinhas da Europa, após a Primeira Guerra Mundial, e vieram da Polônia, judeus fugindo da secular perseguição e discriminação à qual os membros de sua religião estiveram submetidos.

Catarina nasceu em Pernambuco, estudou muito sobre História das Religiões, e decidiu um dia converter-se ao Judaísmo. Um caminho cheio de empecilhos. que conseguiu superar com muita perseverância. Converteu-se em Miami, nos EUA.

Nicolai vem de São Paulo, onde também nasceram seus pais. A família de seu pai – os seus bisavós paternos – tinha chegado ao Brasil no final do século XIX, judeus russos à procura de um futuro melhor e mais livre. A mãe de Nicolai é de origem italiana, também gente que deixou para trás o Velho Continente, católicos não muito praticantes.

Paulo, Catarina e Nicolai, todos os três brasileiros natos, todos os três de famílias provenientes da Europa, decidiram instalar-se em Israel. Paulo e Nicolai obtiveram imediatamente o direito de imigração e a cidadania israelense; Catarina teve que vencer alguns obstáculos burocráticos, mas conseguiu pouco tempo depois esse direito, e a cidadania, pois os três são considerados como judeus segundo a legislação israelense em vigor.

Fernando também é brasileira nata, do Paraná, terra onde seus pais, árabes nascidos numa vila perto de Nazaré, no então Mandato Britânico da Palestina,  hoje no território de Israel, chegaram com os avós de Fernanda após terem sido expulsos de lá em 1948.

Ao contrário de Paulo, Catarina e Nicolai, Fernanda não pode radicar-se na terra onde seus pais nasceram. Não tem esse direito, uma vez que não é de religião judaica. Ela não tem o direito de morar na terra onde seus pais nasceram. E Paulo, Catarina e Nicolai, cujos pais, avós, bisavós, jamais tinham posto um pé naquela região, podem fazê-lo, gozando de todos os direitos dos cidadãos judeus do Estado de Israel.

Ao contrário de Paulo, Catarina e Nicolai, que entram em Israel, mesmo como turistas, sem maiores dificuldades a partir do momento em que deixam claro ou que comprovam que são judeus, Fernando, como filho de árabes expulsos, como não judeu, pode  ser submetido a rigorosos interrogatórios, pode ter seu notebook e seu smartphone confiscados provisoriamente, pode receber a ordem de abrir sua caixa de e-mail ou sua conta no Facebook, ter a entrada recusada na terra de seus pais, e posto no primeiro avião de volta para o lugar de onde tinha partido.

Há muitos Paulos, Catarinas, Nicolais, Fernandas no Brasil e no mundo. Todos têm em comum o fato de presenciarem a realidade racista do Estado de Israel, uns como privilegiados, os outros como discriminados – a realidade desse Estado que se autodenomina como a “única democracia no Oriente Médio”.

© @esquerdacritica, “Esquerda Crítica”, 2011-2013. Unauthorized use and/or duplication of this material without express and written permission from this blog’s author and/or owner is strictly prohibited. Excerpts and links may be used, provided that full and clear credit is given to “@esquerdacritica” and “Esquerda Crítica” with appropriate and specific direction to the original content.

Síria: “Não há mais rebeldes moderados”

O diário alemão junge Welt (“Mundo Jovem”, de esquerda marxista), já conhecido dos leitores e das leitoras deste blogue, publicou na sua edição de sábado e domingo passados (os jornais alemães em geral não são publicados aos domingos), 04.05.2013, extrados de um artigo do jornal de direita Frankfurter Allgemeine Zeitung sobre a situação na Síria, antes dos ataques israelenses.

Nesse artigo, o autor Jürgen Todenhöfer, antigo deputado federal pelo partido conservador CDU (União Democrata Cristã) relata suas impressões de viagem à Síria martirizada por uma guerra civil a ele imposta pelo “Ocidente”, pela Turquia e pelas monarquias fundamentalistas do Golfo Pérsico (Arábia Saudita e Qatar em primeira linha). De interesse são suas observações sobre os insurgentes que lutam contra o regime do presidente Assad. Vindas de uma pessoa de direita, que em regra participa da demonização de qualquer regime que não seja subserviente aos interesses estratégicos do capital internacional, elas reforçam o que, cada vez mais, a imprensa submissa a esses mesmos interesses começa a relatar: que os “rebeldes” não são os “mocinhos” e Assad o “bandido” – um fato reconhecido até pela ONU, que acaba de divulgar a informação de que há elementos para acusar esses mesmos “rebeldes” do uso de armas químicas – e nenhum para o mesmo fato provindo das forças governamentais.

A mentira tem pernas curtas, diz-se por aí. Pernas curtas, e um hálito mortal: as dezenas de milhares de mortos na Síria, as centenas de milhares no Iraque estão aí para comprová-lo.

Abaixo, na tradução de @esquerdacrítica, extratos do artigo do deputado alemão.

“Não há mais rebeldes moderados”

“(…) Esta foi a minha sexta viagem à Síria desde o começo do conflito. Conversei longamente com representantes da oposição, e também horas com o presidente sírio [Assad]. O que começou como um legítimo levante democrático de uma parte da população virou uma mistura de guerra de fanáticos religiosos, e de uma guerra por procuração contra o Irã. Os dois lados Leia Mais…

Nova agressão de Israel contra a Síria

Irresponsabilidade, a certeza de que pode tudo permitir-se e de que não será punido, arrogância, o desejo de afirmar seu domínio na região, a pouca importãncia dada ao fato de que suas ações só acirram o confito e que, realmente, podem levá-lo a uma nova guerra regional aberta: só assim consegue-se explicar o que teria motivado o governo israelense de Binyamin Netanyahu a atacar ao menos duas vezes, em três dias, o território sírio.

O governo desse país diz que o objetivo do último ataque, realizado neste domingo de manhã (hora local), teve como alvo um centro de pesquisas localizado em um subúrbio da capital Damasco – ou um depósito anexo.  Já as informações que Israel, indiretamente, deixa que sejam publicadas (pois seu governo quase nunca comenta, ou reconhece, ações por ele cometidas e que são contrárias ao Direito Internacional) falam que o alvo teria sido uma carga de mísseis iranianos que estariam sendo enviados para a milícia xiita libanesa, o Hizbollah.

E é essa informação que os cães de guarda da imprensa “ocidental” estão divulgando: Israel teria o direito de impedir que essas armas cheguem às mãos dos xiitas libaneses – “aliados do Irã”, repetindo a cada oportunidade essa frase -, uma vez que o objetivo desses seria a sua destruição. O Irã é, como sabido, um dos países visados pela processo de demonização midiática que quase sempre precede uma intervenção militar.

O presidente norteamericano Obama declarou em entrevista concedida Leia Mais…

O modelo alemão: trabalhadores pobres, miséria social

O modelo alemão é um empreendimento de redistribuição de riqueza de baixo para cima que estamos vivendo já desde vinte anos. E é isso que se recomenda, com veemência, a toda a Europa.

Uma cena não mais rara na Alemanha

Uma cena não mais rara na Alemanha

O diário francês L’Humanité publicou, na sua edição de 2 de maio, um artigo do dirigente sindical alemão Norbert Arndt, secretário do sindicato Ver.di (reunindo várias profissões na área de prestação de serviços) na cidade de Herne, situada na região do Ruhr, ao noroeste da Alemanha, em que ele descreve os efeitos sentidos pelas classes trabalhadoras com as medidas antissociais conhecidas como “Hartz IV”. Não tendo encontrado o artigo em seu original alemão, @esquerdacrítica traz aqui uma tradução do texto em francês publicado pelo Humanité.

Durante o  Ano da Alemanha no Brasil, iniciativa financiada também pelo grande capital – a Federação da Indústria Alemã (BDI) está entre os seus realizadores, muito se ouvirá sobre as supostas benesses dessas “reformas” e sobre a necessidade de implementá-las em outros países – e também no Brasil. As discussões sobre o Acordo Coletivo Especial, promovido pelo outrora combativo Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, e que causará um grande retrocesso aos direitos trabalhistas da população brasileira, devem ser vistas dessa perspectiva: como parte dos esforços da grande burguesia alemã em aumentar os seus lucros, prejudicando trabalhadores e trabalhadoras onde quer que estejam, na Alemanha, na França, em Portugal, na Espanha, na Grécia, em Chipre, na Irlanda.

@esquerdacrítica apresentará, durante este ano, mais artigos e traduções mostrando a realidade social na Alemanha da maneira como esse não será mostrada na imprensa burguesa.

Trabalhadores pobres, miséria social: aí está o modelo alemão

O modelo alemão é um empreendimento de redistribuição de riqueza de baixo para cima que estamos vivendo já desde vinte anos. E é isso que se recomenda, com veemência, a toda a Europa. A Alemanha está no centro dessa política.

E a sorte reservada aos assalariados alemãos não tem nada de exemplo a ser seguido. Sim, no papel, o nível de desemprego aqui [na Alemanha] é menos elevado que em outros países europeus. Mas isso é uma enorme enganação Leia Mais…

Viva o Primeiro de Maio!

Viva o Primeiro de Maio!

Dia internacional dos trabalhadores e das trabalhadoras – hoje, nestes tempos, mais importante que nunca!

Poster soviético do 1.o de maio, 1929

Poster soviético do 1.o de maio, 1929

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