Este blogue, e meus tweets

Prezad@s leitor@s, nas últimas semanas e meses tive pouco tempo para dedicar-me a este blogue. Isso, apesar de vários acontecimentos de importância que desejaria ter comentado: a crise na Ucrânia, os contínuos crimes de Israel contra os palestinos, a destruição lenta das sociedades grega, espanhola e portuguesa graças às medidas sociocidas da Troika…

O blogue esquerda crítica é mantido por uma só pessoa, que não recebe qualquer tipo de ajuda financeira para fazê-lo. Tendo tempo, dedicaria muitos mais esforços para transmitir aos/às seus/suas leitor@s informações de qualidade sobre diferentes temas da política internacional, ou de relevância cultural.

Entretanto, seu autor não está totalmente inerte: comenta, frequentemente, usando o Twitter. Vocês podem segui-lo no endereço @esquerdacritica. Lá, tuito em português, alemão, francês e ocasionalmente em inglês e em castelhano.

 

Dia internacional de luta contra a espionagem na Internet

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The Day We Fight Back: chamo os leitores e leitoras deste blogue a que participem da campanha internacional contra a espionagem na Internet.
Cliquem aqui para chegarem à página da campanha.

 

SodaStream: de qual água a Scarlett está bebendo

A “controvérsia” sobre o papel de garota-propaganda da atriz Scarlett Johansson para a empresa israelense SodaStream, produtora de máquinas de fazer bebidas com gás, também comercializadas no Brasil, e seu cargo de “embaixadora” da ONG Oxfam, terminou: Scarlett, em vez de continuar usando sua celebridade para angariar fundos para promover justiça social e para combater a miséria, preferiu usá-la para angariar fundos para si mesmo. Abandonou a Oxfam e sua imagem pode ser vista nos comerciais da tal empresa.

A SodaStream tem sua fábrica na cidade de Maale Adumim, perto de Jerusalém: uma colônia israelense, ilegal segundo o Direito Internacional, situada na Palestina ocupada por Israel desde 1967. A campanha internacional de Boicote, Desinvestimentos e Sanções (BDS) contra o Estado sionista, lançada por diversas organizações da sociedade civil palestina e apoiada por um número crescente de governos, ONGs, igrejas, artistas, músicos, associações e partidos políticos em todo o mundo, apela para que ao  menos os produtos originários das colônias israelenses sejam objeto de um boicote mundial, até Israel se submeta às regras jurídicas internacionais e termine sua ocupação e colonização de territórios que não lhe pertencem.

Da mesma forma que as sanções e boicotes mundiais trouxeram o fim ao regime de apartheid sul-africano, espera-se que tais ações contribuam decididamente para terminar, de uma vez por todas, com a ocupação ilegal a que o regime sionista submite o povo palestino.

O semanário americano The Jewish Daily Forward, que em regra defende posições mais progressistas em assuntos políticos, em um longo artigo sobre a controvérsia envolvendo Scarlett, Oxfam e SodaStream, explica a origem da colônia ilegal de Maale Adumim:

(…) A somente 15 minutos de Jerusalém, Ma’ale Adumim é (…) uma colônia especialmente detestada pelos ativistas políticos israelenses. Ela foi viabilizada, nos anos 1970, por uma das maiores expropriações de terras palestinas já implementadas por Israel durante os 46 anos de ocupação da Cisjordânia.

Segundo o grupo israelense de defesa de direitos humanos, B’Tselem, a terra onde hoje a colônia está assentada, e o seu distrito industrial, incluindo SodaStream, foi tirado das cidades palestinas de Abu Dis, Al-’Izarizzeh, Al-’Issawivyeh,At-Tur e Anata. Outras terras expropriadas são áreas em que as tribos beduínas de Jahalin e Sawahareh moravam, antes de Israel tê-los expulsado.

A criação de Ma’ale Adumim e Mishor Adumim “significou a perda de terras de pasto e aráveis e, como consequência, a perda de um modo de vida agrícola” para essas aldeias, conta B’Tselem em um estudo de julho de 1999 sobre a expropriação. Essa expropriação massiva “também interdisse a essas aldeias as reservas de terra necessárias para moradias, indústrias e instituições públicas.” Os serviços regionais que acompanharam a criação da colônia são inacessíveis para os residentes palestinos da área, com exceção daqueles que têm autorizações especiais para entrar no assentamento, somente para fins de trabalho – como é o caso dos empregados da SodaStream. E a própria extensão geográfica de toda a colônia bissecta uma boa parte da Cisjordânia e a separa de Jerusalém de uma maneira tal, que os funcionários da Autoridade Palestina e seus apoiadores dizem tornar quase impossível um Estado palestino territorialmente contíguo e viável. (…)”

Segundo informação também contida nesse artigo do Jewish Forward, um blogueiro sionista teria comentado que, se uma empresa europeia tivesse construído por lá uma fábrica que empregasse centenas de palestinos, ninguém protestaria; já que a SodaStream o fez, há protestos – por ser uma empresa israelense. Aparentemente, esse blogueiro não consegue entender que nenhum país europeu está ocupando ilegalmente, no mínimo há 46 anos, o território palestino, e que nenhum Estado europeu continua promovendo a limpeza étnica da Palestina – ao contrário de Israel.

Então, quando virem o comercial mostrando a sorridente Scarlett tomando sua bebida gaseificada feita com as máquinas da SodaStream, ou quando depararem com esses produtos nas praleteiras de lojas, que tal pensar duas vezes antes de prestigiar uma companhia instalada em terras roubadas?

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Scarlett Johansson, SodaStream, Oxfam, Palestina

Montagem com a publicidade de Scarlett para a Sodastream e cidadãos palestinos atrás das grades fronteiriças de Israel

Montagem com a publicidade de Scarlett para a Sodastream e cidadãos palestinos atrás das grades fronteiriças de Israel

A atriz estadunidense Scarlett Johansson projetou-se ao centro de uma campanha internacional contra a ocupação israelense da Palestina, devido a dois papéis que está ocupando: a de “embaixadora” da organização internacional Oxfam, e a de garota propaganda da empresa israelense SodaStream, que fabrica máquinas caseiras para preparar água gasosa e outros refrigerantes.

SodaStream, também presente no Brasil, tem sua fábrica na Cisjordânia, território palestino ocupado ilegalmente desde 1967 por Israel: é uma empresa que integra o mecanismo de colonização dos territórios árabes. Por falta de trabalho em suas cidades e vilas, trabalhadores e trabalhadoras palestinos são constrangidos a vender sua força de trabalho aos colonizadores.

A Oxfam destaca-se por suas atividades no combate à pobreza e à injustiça social. Publicou, há não mais de 2 semanas, um relatório mostrando que as 85 (oitenta e cinco) pessoas mais ricas do planeta detêm tanta riqueza quanto os 3,5 bilhões de pessoas mais pobres. Pronunciou-se, várias vezes, contra o sistema de colonização ao qual estão submetidos os territórios palestinos.

Outra montagem, desta vez mostrando a diminuição do território ocupado e controlado por palestinos desde 1946

Outra montagem, desta vez mostrando a diminuição do território ocupado e controlado por palestinos desde 1946

Inúmeras personalidades públicas e organizações de solidariedade com o povo palestino estão protestando junto à Oxfam para que salve sua credibilidade e que rompa relações com Scarlett, até que ela cancele o contrato que tem com a empresa dos colonizadores. Na rede Twitter, uma hashtag bem popular é a #NoScarJo.

Afinal, Oxfam: como querer, ao mesmo tempo, lutar contra a injustiça, e honrar com o cargo de “embaixadora” uma pessoa que lucra justamente com essa injustiça que vocês combatem?

ADENDO em 30.01.2014: Scarlett Johansson comunicou, hoje, que não mais atuará como embaixadora da Oxfam. Em vez de recolher fundos para obras humanitárias, parece ter preferido fazê-lo para sua conta pessoal.

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Protestos na Ucrânia, protestos em Paris

Já em dezembro passado, este blogue comentou o início do caos na Ucrânia. Relembrando: orquestrados por partidos políticos estreitamente ligados às elites neoliberais europeias, em especial às alemãs (o partido do antigo boxeador  Vitali Klitchko, o UDAR, é monitorado pela Fundação Konrad Adenauer, da CDU – União Democrata Cristã), e pelo partido ultranacionalista, russófobo e antissemita Swoboda (“Liberdade”), simpatizantes dessas ideologias saíram às ruas de Kiev e de outras cidades desse país em protesto contra a decisão do seu governo de não continuar, pelo momento, negociações para a assinatura de um tratado de associação entre a Ucrânia e a União Europeia.

Em pouco tempo, os protestos degeneraram, com depredações de bens públicos, ataques físicos a policiais (que, também, não tratavam os manifestantes com requintes de afabilidade), a partidários do governo, membros da comunidade judaica, etc. Todo o potencial ultranacionalista e reacionário da direita ucraniana tem se mostrado desde então, para quem quiser ver. As imagens e os depoimentos estão por aí. Só que, como é praxe na mídia servil, não são divulgadas à grande maioria da população mundial: o grande capital, através dos governos europeus, apoia ativamente a oposição ucraniana.

Os governos de países membros da União Europeia não hesitam em condenar o governo ucraniano pela reação necessária a uma situação que está perigosamente beirando a de guerra civil. Embaixadores são convocados ao Ministérios de Relações Exteriores (como ocorreu na Alemanha), a Comissão Europeia ameaça com sanções, os jornalistas vendidos ao capital que povoam a “grande imprensa” indignam-se continuamente…

Em Paris, hoje, domingo, dezenas de milhares de manifestantes de uma nebulosa decididamente fascista, racista e homofóbica desfilaram pelas ruas da cidade contra o governo do presidente François Hollande (Partido Socialista, neoliberal), clamando por sua destituição e confrontando violentamente a polícia francesa: foi o que denominaram de Dia da Cólera.

A União Europeia irá condenar a França pela repressão de seus fascistas, da mesma maneira que condena o governo ucraniano por não permitir que os fascistas de lá tomem, eles, o poder em Kiev? Irá exigir do governo francês que negocie com os manifestantes, que abra mão de seus princípios e de sua autoridade legitimada nas urnas? Que cumpra as exigências racistas e homofóbicas dos fascistas?

Perguntas, é claro, bem retóricas.

Encontrado na Internet, traduzo aqui um trecho de um militante francês de esquerda, a quem os “dois pesos, duas medidas” da grande imprensa não passou despercebido. Parodiando as desinformações sobre a Ucrânia veiculadas também na França, esse militante escreve uma possível notícia a ser publicada em um jornal ucraniano:

As manifestações contra o presidente Hollande estremeceram o Elysée [palácio presidencial em Paris], que, entretanto, não cede em ponto algum e continua surdo ao descontentamento das ruas. Ele recusa-se a demissionar ou de propôr o cargo de primeiro ministro a um dos chefes dos manifestantes. Hollande preferiu enviar o CRS (destacamento de elite da polícia francesa encarregado da repressão aos movimentos populares) para fustigar o movimento; 150 oposicionistas foram interpelados pela polícia. (…) A oposição acusa o governo de censura e de ataque à democracia, que lembrariam as horas mais sombrias da história da França.

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Latuff sobre Sharon

Latuff sobre Sharon

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Israel, ânsia de vômito

Israel, “ânsia de vômito”, diz teólogo judeu

O teólogo judeu de libertação estadunidense Marc H. Ellis, comentando em sua série publicada no site Mondoweiss sobre a contínua opressão israelense do povo palestino, e a colonização de suas terras:

Se Israel continuar nessa sua trajetória atual, um dia a própria ideia de um Estado judeu pode nos dar ânsia de vômito

Comentários sobre artigos

Comentários sobre artigos

Comentários sobre artigos que escrevi ou traduzi são benvindos e aceitos, mesmo quando seus autores tenham opiniões diferente ou contrárias às minhas, ou àquelas expressas nos textos traduzidos.

O que não será aceito são comentários com ataques ad hominem. Esses não serão publicados.

 

Vestindo a camisa: Mauro Iasi na Presidência!

Vestindo a camisa: Mauro Iasi na Presidência da República!

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Segregação, exclusão, racismo em Israel

Segregação, exclusão, racismo institucionalizado, apartheid: quatro conceitos que definem o Estado de Israel. Não há outros termos para defini-lo, apesar das incessantes campanhas de relações públicas lançadas pelo governo desse país, que tenta mostrá-lo como a “única democracia no Oriente Médio”, cormo sociedade liberal no que se refere a direitos dos homossexuais e lésbicas, como pólo de inovações técnicas e científicas.

Democracia Israel é, mas somente para os seus cidadãos judeus, os únicos que gozam de todos os direitos e privilégios nesse Estado. Liberal também, mas ai do casal de religião mixta (por exemplo, judeu e muçulmano, judeu e cristão, etc.) que queira se casar por lá: verá que não é possível fazê-lo. Ai dos judeus religiosos não-ortodoxos que desejem o mesmo: verão também que é impossível.

Dentre os cidadãos israelenses, os árabes beduínos têm uma situação particular. Através de uma inteligente política de divide et impera, o regime sionista conseguiu que certos membros dessa comunidade, residente na Palestina Histórica desde centenas de anos, participassem mais ativamente de sua sociedade e de suas instituições, incluídas ali mesmo o Exército israelense.

Os beduínos em Israel habitam em diferentes regiões, com uma concentração na região mais ao sul do país, também no deserto do Naqab (Neguev), seja em cidades, seja em acampamentos informais mas, muitos deles, de longa existência.

Tal como o governo sul-africano da época do apartheid, o regime de Tel Aviv pretende concentrar os beduínos em cidades segregadas, verdadeiros guetos (ou bantustões, mantendo a comparação com a África do Sul racista), demolindo suas residências precárias, desenraizando-os da terra onde moram, para criar espaço exclusivo de moradia para seus cidadãos judeus – uma continuação da Naqba, da expulsão dos habitantes árabes da Palestina Histórica, iniciada antes da criação do Estado de Israel e levada a cabo na assim chamada Guerra de Independência, em 1948.

O Plano Prawer, discutido no Parlamento israelense (a Knesset) foi temporariamente arquivado, mas teria transformado em lei essa intenção criminosa. Durante as últimas discussões, a deputada Miri Regev, do partido de extrema-direita ultranacionalista Likud, ao qual pertence o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, foi bem clara: replicando a uma intervenção de um deputado árabe, que dizia que o objetivo seria transferir toda uma população – caso claro de limpeza étnica -, ela disse:

Sim, como os americanos [estadunidenses] fizeram com os índios

E que fizeram os estadunidenses com a população nativa, com os índios? Roubaram suas terras, impuseram-lhes tratados desvantajosos, expulsaram-nos de suas casas, concentraram-nos em reservas (guetos ou bantustões), submetaram-nos a um regime impiedoso de ocupação e exploração, mataram impunimente os seus jovens.

Seria bom lembrar que a mesma deputada, há algum tempo atrás, chamou os refugiados africanos (negros) que se encontravam em Israel de “câncer na sociedade”.

Ela sabia que o mesmo tipo de linguagem foi utilizado pelos fascistas alemães para descrever a totalidade do povo judaico? Ela sabe que os fascistas alemães concentraram judeus em guetos, expulsando-os de suas casas, de suas terras?

Agora, mais que nunca, é necessário que a campanha mundial pelo boicote, desinvestimento e sanções contra o regime israelense (BDS) monte em velocidade em escopo.

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